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Tapinha de amor, no seu filho, dói sim

Tenho visto, com frequência, pessoas defendendo o uso das tais “palmadas terapêuticas” como estratégia pedagógica válida, como prática necessária para a boa educação das crianças. Este post, “No recreio: passando dos limites”, não é o único do gênero que chegou a mim recentemente, mas é um ótimo exemplo, já que reúne a maior parte dos argumentos normalmente utilizados pelos defensores dos “tapinhas”.
Gostaria de começar definindo algo, do ponto de vista lógico: bater é agredir. Assim como agressão é violência e, como tal, deve ser combatida, exceto talvez quando praticada entre quatro paredes, de forma consentida, por adultos com fetiches sadomasoquistas, responsáveis por seus atos; ou em ringues de luta.
Brincadeiras à parte, não há como relativizar os conceitos de agressão e violência. Não existe uma gradação, uma escala padronizada que nos permita dizer a partir de que ponto um tapa torna-se um ato violento ou até onde se trata de um ato de amor. Para delimitá-los melhor, penso em quem recebe a agressão: trata-se de pessoa que pode se defender? É alguém que entende porque está apanhando e pediu conscientemente por isso? Se as respostas para essas questões não forem simultaneamente positivas, temos um ato violento. Fica muito clara então a impossibilidade desta afirmativa dubla quando o agredido é uma criança, ainda que ela seja capaz de entender o caráter punitivo dos tapas que está levando, essa agressão sempre será imposta e sem possibilidade de defesa.
Existe também outra definição importante relativa ao ato de bater: além de agressão, é comunicação. A criança que apanha internaliza o recado de que a violência é não só uma solução viável, mas também uma resposta natural e esperada para uma série de situações. Não haveria nada errado nisso se estivéssemos falando de um “filhote humano” criado entre lobos, mas estamos falando de crianças inseridas na cultura, num mundo de linguagem que é exatamente o que nos diferencia do restante dos animais. Quando você bate em seu filho está mostrando a ele que a violência é um discurso natural, e te garanto que isso não faz dele um ser humano melhor.
Você já deve estar pensando agora numa questão muito boa, e que eu reconheço ser um ótimo argumento de quem defende as “chineladas de amor”: o que fazer com essas crianças tiranas, sem educação e absolutamente sem limites, filhas de pais sem atitude? Não vou acusar de má-fé as pessoas que realmente acreditam que as palmadas são uma boa resposta para essas crianças – eu mesmo reconheço que a paternidade está em crise e que de vez em quando tenho vontade de pendurar alguns pestinhas de cabeça para baixo, mas o engano dessas pessoas está em perpetuar a crença antiquada de que o medo educa, de que a força bruta impõe respeito, quando na verdade o efeito pode ser exatamente o contrário. Há muita imaturidade, insegurança e despreparo nas relações entre pais e filhos. Pode-se falar até em inversão de papéis – já vi mães delegando a filhos menores de dez anos decisões sobre a própria vida que deveriam ser apenas delas. Penso também, de forma mais ampla, na questão do que é ser sujeito em nossos tempos. Ora, como oferecer limites a meu filho se vivo num mundo que me vende a falácia de que tudo posso; de que todo sofrimento, por mínimo que seja, não me é permitido? Como oferecer conscientemente exemplos, possibilidades e caminhos a esta criança que depende de mim, quando eu mesmo preciso ser guiado e tutelado pela indústria da auto-ajuda?
Fica fácil perceber que a solução oferecida por nossos avós não dá conta dessas questões que são nossas. Ainda que eu entenda os impulsos de quem busca soluções que “funcionavam” no passado, elas não passam de fuga, já que “bater ou não bater” simplesmente não resolve algo que é maior, que está ligado à definição e vivência de nossos próprios papéis.
“Ah, mas eu apanhei e hoje não tenho problemas graves por isso”. Bem, a não ser que você tenha sido sistematicamente espancado de maneira inesquecível, é bem provável que os problemas decorrentes do fato de ter apanhado não sejam tão aparentes assim. Mas quem me garante que essa sua percepção não é defesa? E depois, é correto afirmar que consequências “menos graves” legitimam a violência?
“Mas como educar e impor limites sem bater? E quando for preciso?”. É necessário saber algumas coisas sobre as crianças em geral. Primeiro, que nada é mais importante para elas que o amor e a aceitação dos pais. Qualquer coisa que a faça sentir que pode perder esta aceitação não se repetirá. Mostrar real decepção e descontentamento tem efeito punitivo maior que o de mil chineladas, e terá equivalente efeito didático se os motivos forem bem explicados, não importa a idade do “fedelho”. O momento mais marcante da minha infância foi quando vi que havia decepcionado realmente meu pai ao fazer algo, que obviamente nunca mais se repetiu. Depois, não subestime a capacidade que toda criança tem de aprender via diálogo e exemplos. Eles aprendem mais e melhor que os adultos, se estimulados.
Por último, saiba que o “não” é talvez a maior palavra de amor que um pai pode pronunciar, e não é por acaso que esta seja uma das primeiras palavras aprendidas pelas crianças. Saber o que pode e o que não pode também é saber quem se é, delimitar-se enquanto indivíduo.
A relação pai e filho é também uma disputa por poder e controle. A criança sempre testará os pais, tentando delimitar seu lugar no mundo e na vida deles. Paradoxalmente, ainda que ela possa levar este teste até as últimas consequências, ela deseja o limite, mas não em forma de agressão. Ao saber “quem manda”, via exemplos e diálogo, ela se sente acolhida e protegida, mas se os pais se deixam levar pelo impulso e batem nela, ela pode responder a isso de várias formas indesejadas. Pode sentir revolta e raiva, um ódio que pode matar o diálogo dela com este pai; e pode também sentir-se falsamente vitoriosa neste jogo de poder, passando a usar a culpa deste pai que bateu, como moeda. Sempre me divirto quando lembro de minha tia cega de raiva, correndo atrás da minha prima, para bater nela. A expressão da menina era de puro deleite, a própria face da vitória, ainda enquanto corria, porque ela sabia que 1) era capaz de manipular os sentimentos de sua mãe através de seus atos, uma percepção que dá à criança um sentimento de onipotência; e que 2) poderia aproveitar-se da culpa de sua mãe depois, usando o arrependimento dela para conseguir qualquer coisa.
O fato é que bater nunca é preciso. Sempre existem alternativas melhores, e é perfeitamente possível ser severo quando necessário, sem levantar um dedo. Cria-se uma relação de respeito, e não de medo. Talvez a dificuldade em aceitar que as coisas possam ser assim esteja relacionada com o desconforto que é questionar nossa própria criação e, por tabela, nossos pais. Escapamos de certas dúvidas e medos acreditando na idealização de um passado idílico em que fomos todos muito bem criados, e que nossos pais nos amaram pelos tapas que nos deram. Afinal, eles só agiram assim por amor, certo?
Também, acredito eu, há o sofrimento em aceitar que a paternidade é um exercício muito mais complexo e passível de fracassos do que faz supor o singelo ato de “dar uns tapinhas para ele aprender”…
PS – Não me ofendam com o argumento simplório e emocional do “você não pode falar porque não tem filhos ainda”. Já respondi a isso neste post sobre o Google Latitude.
UPDATE: Este texto está construído sobre uma ideia: a de que “bater é agredir, e de que agredir é violência”. Parece simples demais, ou parece ser forçar a significação dos conceitos para construir uma premissa, é fato. Mas, antes disso, esta ideia é base não de uma opinião, mas de um posicionamento ético e acima de tudo profissional. Eu, Marcos Donizetti, baseado em minha formação, minha observação clínica, minha visão de homem e experiência de vida, não acho admissível que se possa infligir dor ao corpo de outro (pior que seja filho), sem consentimento. E muito menos vejo ganhos aí, do ponto de vista pedagógico ou de qualquer outro tipo.
Minha postura está fundamentada na psicanálise e na psicologia social, mas não só. Alguns textos que podem exemplificar, mas não esgotar, este referencial podem ser encontrados na sessão biblioteca do Não bata. Eduque.

26 Comentários on “Tapinha de amor, no seu filho, dói sim”

  1. #1 Flavia
    on May 7th, 2009 at 00:16

    Vc vai me achar muito boba se eu disser que me emocionei às lágrimas? Assino embaixo. E fico feliz ao ver que consegui não repetir o padrão de meus pais e educar meu filho dando limites de forma enérgica, mas com respeito. É respeitando a criança ( que é diferente de deixar ela fazer o que quiser, bien compris) que fazemos com que elas nos respeitem. Acredito na força do respeito conquistado, e não do respeito imposto (se é que ele existe – eu acho que não).

  2. #2 tiagón
    on May 7th, 2009 at 01:05

    chê, grande post.
    se um dia eu tiver que bater numa cria minha pra conseguir respeito, eu vou ser um merda. em vários sentidos.
    R: Como diz a Flávia que comentou aí em cima, se tu precisou erguer a mão para uma criança, você é o derrotado naquele momento.

  3. #3 Ju Dacoregio
    on May 7th, 2009 at 06:49

    Também acho que a criança entende muita coisa com conversa, com atitudes firmes e com demonstrações de contentamento e descontentamento dos pais. Só que também sei que há momentos em que a criança entende tudo isso, mas mesmo assim ela escolhe agir como se não entendesse. Ou talvez incoscientemente, por desejo de provocar e testar os pais, ela age como se não entendesse.
    Eu acredito que a falta de limites pode trazer danos maiores do que os supostamente provocado por umas “palmadas pedagógicas”. E às vezes dar limites também é dar um tapinha. Há crianças que fazem repetidamente coisas que foram muito bem avisadas para não fazer.
    E a relação entre pais e filhos não pode ser um jogo. Do tipo “se eu bater no meu filho ele vai se sentir triunfante, por isso não vou bater”.
    Aliás, mostrar-se profundamente decepcionado com seu filho pode ser milhares de vezes mais prejudicial do que dar um tapa e meia hora depois encher de beijos e abraços. Ver os pais decepcionados pode corroer a “alma” de uma criança. Levar um tapinha pode fazer com que ela entenda que errou e que aquilo não deve se repetir. Mas mostrar emoções tão fortes como decepção e descontentamento pode causar uma sentimento irreversível de culpa e inadequação na criança. Em suma, ela vai se sentir um lixo se você fizer questão de mostrar o quanto ela o decepcionou.
    Não acredito que bater seja a melhor solução, mas também não acho que abdicar totalmente de qualquer “palmada” em qualquer situação seja o mais saudável para o caráter e a personalidade de um ser humano.
    E que fique bem claro que essa não é minha opinião de adulta que se incomoda com os “pestinhas” alheios. Essa é minha opinião de filha que nunca levou uma única palmada.

  4. #4 Ma
    on May 7th, 2009 at 10:40

    Bom, também não tenho filhos, mas tem hora que dá uma baita vontade de jogar uns pestinhas pela janela!! (é óbvio que jamais faria isso)
    As crianças de hoje (ao menos, as que tenho contato no ambulatório) estão muito sem limites e isso é culpa dos pais, que dão essa liberdade toda: nem dão palmadas e muito menos são firmes em atitudes / impostação de voz.
    Acho que precisamos colocar os pais de hoje em escolas. Cursos “Como educar seus filhos” ganhariam fortunas!

  5. #5 Catatau
    on May 7th, 2009 at 14:51

    Sei não, acho que nem 8, nem 80.
    A violência é uma noção um tanto quanto vazia e relativa: bater em quem não tem defesa é um ato de violência. Mas também um sermão, uma bronca, ou um castigo ou privação por meio de isolamento pode ser considerado “violência” com a criança. São medidas que não oferecem defesa, pois uma criança não argumentará contra (um grito não é um contra-argumento), e nem pode se “defender” de um castigo ou privação, por exemplo.
    A questão parece ser mais embaixo do que punir ou não punir uma criança. Hoje em dia tanto os prós quanto os contra o ‘tapa de amor’ empregam argumentos “democráticos”. Mas geralmente os prós mascaram autoritarismo, e os contra, permissivismo, uma relação permissivista mascarada de “democrática”.
    Como já disse muito bem um ex-professor meu, não se dá um avião-caça a um adolescente. Bom, talvez saibamos que tanto nas relações entre pai e filho, quanto na de governante-nação, talvez damos isso muito mais do que pensamos.
    As crianças não tem raciocínio lógico-formal. Mas isso não quer dizer nem que elas não “compreendam” prescrições e argumentos sobre modos de conduta, e nem que apenas medidas “físicas” conseguem efeito “pedagógico”.
    Enfim, hoje os pais estão totalmente perdidos, e é mesmo engraçado certos profissionais de educação e saúde prescreverem os modos “certos” de educar um filho. Esses esquecem que são (ou serão) pais tão perdidos quanto os outros, e que no fim das contas não há prescrição exata de como se “criar” uma criança.
    É um interessante sinal dos tempos, pois enquanto discutimos se as palmadas são ou não são boas, se foram ou não foram boas na nossa formação, queimam-se índios e até no ensino superior somos ameaçados por pessoas que são tão crianças quanto essas outras, que cogitamos se devem ou não receber palmadas.
    Enfim, o problema é mais embaixo, e não na bunda alheia! Embora também há quem diga que as bundas hoje estão na mesma altura que o cérebro ;)

  6. #6 Marcos Donizetti
    on May 8th, 2009 at 01:08

    R: Catatau, seu comentário levanta um ponto que eu apenas tangenciei (até porque meu texto já estava ficando bem longo): “A questão parece ser mais embaixo do que punir ou não punir uma criança.” É exatamente por aí. Discordo de você quando diz que violência é uma noção “um tanto quanto vazia e relativa”. Não é. Mas você acerta ao identificar formas de violência psíquica e moral, com as quais os pais também devem tomar cuidado. De qualquer forma, pregar a agressão como forma de “oferecer limites necessários” a um ser humano e ainda dizer que faz isso “por amor” me parece uma solução bastante ruim; e acredito sim que precisamos, pais, psicólogos e educadores em geral, encontrar maneiras de educar sem exercer tanto a violência física quanto a identificada por você.

  7. #7 Marcos Donizetti
    on May 8th, 2009 at 01:27

    R: Juliana, eu não tenho a menor dúvida de que a falta de limites causa danos, eu diria que graves. O que questiono, volto a afirmar, é a noção que para mim soa absurda, de que agressão física é uma forma aceitável de impor qualquer limite. Como expliquei no texto, o “tapinha” é agressão sim, é violência, e deve ser encarado como tal. Eu concordo com você quando diz que a relação entre pais e filhos não deveria ser um jogo, mas vou te dizer que é. Há uma “luta” pelo “controle” do outro, e estou emprestando aqui algo da psicanálise. Eu não inventei. Mas não bater no seu filho é exatamente não jogar esse jogo. É justamente dar a ele o limite que no fundo ele anseia, é justamente conquistar o respeito que ele precisa ter por você. Quando você me fala em crianças que repetidamente fazem coisas que foram muito bem avisadas para não fazer, ou das que escolhem agir como se não entendessem, está me falando de um DIÁLOGO. Você tem nesses casos uma criança querendo comunicar algo que muitas vezes é importante. E quando o pai responde a este contato com agressão, impossibilita essa comunicação. Ou, o que é pior, alimenta isso de forma doentia. Exemplo: os pais trabalham demais, ou por qualquer outro motivo são ausentes, ficam muito tempo apartados da presença dos filhos. Já vi casos assim em que a criança só recebia o contato do pai via chinelada. Com o tempo, a criança passa a aprontar repetidas vezes, para apanhar repetidas vezes e ter assim este contato. Percebe que temos neste exemplo um pai que não entendeu um recado? E como ficará este adulto?
    Sobre a possibilidade de mostrarmos nosso descontentamento e “corroermos” a alma da criança, como você diz… Bem, é de cada pai e cada mãe encontrar a forma de comunicar o que sente. Conversando hoje com uma amiga, ela me disse nunca ter apanhado, mas que o olhar severo do pai era o bastante para saber como e quando deveria se comportar. Existem N formas de levar esse diálogo adiante, sem que um tapa seja necessário. O importante é que, mostrando como você se sente, está sendo sincero e respeitando seu filho. Educar também é mostrar à criança de que maneiras os atos dela repercutem nos sentimentos das pessoas, e te garanto que elas aprendem a se colocar no lugar do outro. O tal sentimento de culpa e inadequação de que você fala, dizendo ser irreversível, depende de vários, muitos fatores, e dificilmente é mesmo irreversível. “Levar um tapinha” pode sim fazer com que ela entenda que errou, mas, como eu já disse, faz com que ela internalize a ideia ABSURDA de que a violência é uma maneira viável de comunicar o que se quer. Fazendo isso você transforma a agressão em algo ordinário, natural, de forma absolutamente nociva. Eu realmente não consigo pensar isso como aceitável. Eu acredito piamente que o caráter e a personalidade do ser humano não precisam de agressão física (nem moral) para se formarem. Até pq, algumas das pessoas mais seguras e fascinantes que conheço nunca levaram um tapa sequer. Reafirmo, isto sim, que é de cada pai e cada mãe a missão de aprender como comunicar ao filho o que sente, o que ele pode e não pode, e isto está muito além da palavra.

  8. #8 Catatau
    on May 8th, 2009 at 09:47

    Mas então segundo tua posição é mais recomendável a violência psíquica, em detrimento à física?
    Aí que está o problema, “violência” é algo muito aberto. Em O Erotismo, Bataille afirma que até o ato sexual é uma forma de violência. Se assumimos isso, podemos até dizer que uma relação entre pai e filho, mesmo sem palmadas, carrega “violência”.
    Um behaviorista talvez também se queixasse disso, pois “punição” e “privação”, ou modos de reforçamento negativo dariam conta bem melhor disso. Assim, um behaviorista diria, mais ou menos como na tua resposta, que se poderia modular os modos de reforçamento de forma que não se resumam à punição direta. Mas ainda assim, estamos falando de um mesmo princípio.
    Finalmente, um psicanalista também não veria tanta diferença entre violência simbólica e real. Quando falamos em relações de controle mediada por caracteres imaginários, um “não” simbólico, ou constrangimentos reais, estamos sempre dando abertura a falar de violência. A questão é confundir violência com repressão corporal: se fazemos isso, abrimos a possibilidade de dizer que o que não é repressão corporal é algo mais “livre”, “não violento”, quando parece complicado precisamente dizer isso.
    Enfim, se nos mantemos dizendo que não se pode dar palmadas, damos abertura aos que dizem que a violência nunca é apenas física; e ao contrário, se admitimos que a violência engloba físico e psiquico, de algum modo devemos afirmar que toda educação envolve certa forma de “violência”. Entramos aí em algo complicado de sair, não pq não há saída, mas pq a noção de violência é ruim de trabalhar, dado que é diretamente relacionada à repressão, e nem toda restrição a uma criança é repressora, mesmo que física ou psíquica (embora tudo isso tb é bte complicado de se dizer!!)
    Parabéns pelo post, deu o que falar!

  9. #9 Camilla
    on May 8th, 2009 at 10:58

    Gostei muito do texto e concordo contigo.

  10. #10 Cynthia
    on May 8th, 2009 at 22:36

    Adorei o post e concordo com você, bater em criança (ou qualquer outra pessoa) é violência, sim, e é uma prática que deve ser veementemente combatida.
    Mas não gosto da idéia de educar pela “decepção”, pois pode criar pessoas vivendo para as outras, sem vontade própria e extremamente ansiosas pra agradar. Essa é praticamente a regra na educação de meninas, e já pude observar efeitos nefastos… tive clientes que sofrem violência intrafamiliar e não têm coragem para denunciar, nem abandonam o agressor, porque têm medo de decepcionar a família. Mesmo as que saem da relação continuam se sentindo culpadas por não terem feito o que a sociedade esperava delas (=casamento feliz e eterno), decepcionando a família e os amigos. Acho desnecessário trocar um tipo de violência (física) por outra (psicológica)…

  11. #11 Marcos Donizetti
    on May 9th, 2009 at 02:39

    Sim, você está certo quanto à dificuldade de delimitar o que é violência, e também quanto à dificuldade de separarmos deliberadamente o físico do psíquico. Ficando apenas em termos psicanalíticos, e sem me aprofundar muito, eu me arrisco a dizer que todo o processo de educar é violento. Se levarmos o conceito ao seu limite, sempre temos a inserção do indivíduo num mundo de cultura que é anterior a ele, de maneira arbitrária. Indo ainda mais longe, o próprio parto é uma violência. Talvez a violência seja mesmo uma grande mediadora de nossas relações…
    Você diz que nem toda restrição é repressora, mas eu digo, baseado na maneira como você coloca a questão da violência, que toda restrição pode sim ser repressora, bastando apenas “esticarmos” um conceito aberto. Aí serei obrigado a dizer que teremos de buscar formas de lidar com essa violência e com essas restrições sem fazer uso da tal repressão física (que acarreta também sofrimento psíquico); e que, independentemente de como delimitarmos os conceitos, a tenho como pura agressão. Uma agressão que, insisto, fala mais dos limites frágeis dos pais que da necessidade de “darmos limites aos filhos”. Agredir fisicamente uma criança – uma agressão que sempre é psicológica também, que gera revolta, medo, terror, raiva – sempre irá me parecer um ato de covardia. Acredito que deve ser tarefa da paternidade, das mais árduas, responder a este nosso paradoxo conceitual tão complicado se afastando dessa solução primitiva (em minha opinião) que é o bater.
    Obrigado! Realmente gosto de ter um blogue quando surgem discussões assim.

  12. #12 Marcos Donizetti
    on May 9th, 2009 at 02:58

    Acho que não consegui me expressar satisfatoriamente nessa questão. A “educação pela decepção” não é para mim um método, como talvez eu tenha feito parecer. Acho que tenho um mérito por colocar essa discussão em pauta, e todos estamos percebendo que as soluções possíveis são difíceis, implicando perdas, ganhos e riscos. Acho que isso é extremamente válido, estamos discutindo aqui o quanto o processo de educar pode ser complicado, sem ter fórmulas prontas. Pensando um pouco mais nisso tudo, vejo que acredito numa educação baseada na comunicação sincera. Se existe decepção, mostre-a e explique-a. Até porque, mesmo que você não verbalize, a criança poderá perceber que algo está errado, e aí teremos um possível adulto vivendo o medo de algo que ele sentiu em você e nunca foi nomeado, quem sabe? Ao mesmo tempo, se há orgulho, mostre-o também, e explique-o. Enfim, se não há, nem pode haver, uma fórmula pronta, eu tento acreditar na educação como algo baseado em diálogo, que demanda entrega, onde os pais aprendem junto dos filhos, mais compartilhando que impondo (o que, por favor, não significa ser permissivo). meu diálogo com o Catatau neste post mostra que provavelmente isso não é tão simples assim, e que talvez eu acredite numa grande utopia. Pode ser, mas vou morrer tentando agir dentro desses princípios…

  13. #13 Catatau
    on May 9th, 2009 at 13:16

    Pois é, aí que está, novamente a ambiguidade da noção de violência (e a agressão é coextensiva): “serei obrigado a dizer que teremos de buscar formas de lidar com essa violência e com essas restrições sem fazer uso da tal repressão física (que acarreta também sofrimento psíquico)”, ao mesmo tempo você admite que alargamos a noção de violência, e violência “psíquica” também é violência.
    Estou alertando ao perigo disso, de reduzir a questão à repressão, pois geralmente existe uma ambiguidade nela que tende a ver os tratamentos não corporais como “menos repressores”, “menos agressivos”, “menos violentos”. O problema é que a abordagem “moral” (é assim que se chamavam os tratamentos não corporais no início da psicologia) é também – como já concordamos – uma forma de violência, às vezes mais sutil e nociva do que a “corporal”.
    É claro que não estou dizendo que se deve bater nos filhos, a questão ainda é mais embaixo: como você mostrou, os pais não sabem lidar com a própria agressividade; e como estou apontando, hoje em dia se impede qualquer exposição da criança diante da agressividade (própria ou alheia). As pessoas simplesmente não sabem mais lidar com a própria agressividade, e isso vai do pai que discute se deve bater ou não, ao filho que apanhando ou não corre o risco de não saber como se relacionar com os outros no futuro. Aí está o problema. Por isso não parece ser fundamental dar palmadas ou não, mas o que estamos fazendo quando ficamos indecisos sobre dar palmadas ou não…
    No tipo de experiência que fazemos de nós mesmos, o filho criado a palmadas corre o risco de ser fruto do desequilíbrio dos pais (falando de modo inexato e bem grosseiro); o filho não criado a palmadas corre igualmente o risco de ser fruto do desequilíbrio dos pais (pois estes não souberam dar o limite…). (Deixando claro: não importa como tal ou qual cria os filhos, ou como criarei os meus; importa o tipo de experiência em que não deixamos de fazer essas perguntas)

  14. #14 Marcos Donizetti
    on May 9th, 2009 at 13:41

    Acho que o principal ponto deste debate é exatamente esse, de que “o buraco é mais embaixo”. De fato, as questões envolvidas se constituem como uma espécie de tabu que poucos querem tocar. Os motivos são muitos e elenca-los dá margem a outro post, a um ensaio ou mesmo um livro, ou vários. Concordamos que não existe ato de educar sem que existam riscos, e imagino o quanto ser confrontado com isso deve ser complicado para os pais (já está sendo para mim, que ainda não cheguei lá). De qualquer forma, optei por combater sim a agressão física e o “limite” dado por esta forma de “educação”, porque vejo nela não só essa violência, mas também uma “solução” rápida e impulsiva que, tornada prática, aparta os pais e todos os responsáveis pela educação de uma discussão mais profunda, como esta que estamos tendo aqui.

  15. #15 Catatau
    on May 10th, 2009 at 19:59

    Mas cuidado apenas com mais um detalhe adicional: o nível em que concordamos – o de que esse debate faz parte de nossa experiência, para além das escolhas individuais dos pais recalcados, do Catatau ou do Doni – é bem diferente dessas mesmas escolhas individuais.
    Por isso muito cuidado quando se diz e se lê coisas como “De qualquer forma, OPTEI por combater sim…” – ao dizer isso, há um risco de esquecer o debate público entre “pesquisadores” (digamos assim, forçando muito o que fazemos), para identificar a própria posição pessoal com esse debate público.
    Não que nenhum debate seja isento, mas sim que qualquer ponto de apoio deve se fazer em algo mais do que o mero senso lógico privado. ;)

  16. #16 Marcos Donizetti
    on May 10th, 2009 at 20:35

    Ah, mas eu tenho esse cuidado, não se preocupe. Quando digo que fiz uma “opção”, ela nunca deixa de levar em conta outros pontos de vista, a teoria que aprendi, a apreensão que fiz desta teoria etc. Mesmo este post está fundamentado em meus estudos, e a opção é mais um posicionamento que um simples “eu acho”. Na verdade, a beleza deste debate está também no fato desta opção ser confrontada. É sempre bom que exista um certo desconforto, que a gente não deite sobre a opinião que tem de algo. Isso é que é fazer ciência, não? Nunca ficar confortável demais com as próprias certezas…

  17. #17 Luciana
    on May 12th, 2009 at 00:01

    Doni!
    Como te disse, tua frase “Bater no teu filho é o mesmo que admitir que não o conhece e não sabe lidar com ele” foi impactante demais pra mim.
    Eu levei palmadas quando criança, mas sempre achei que era por minha culpa, máxima culpa.
    Faz todo sentido a tua frase que citei quando lembro que sempre que me batia, minha mãe chorava mais que eu – ali naquele choro estava o reconhecimento de que ela tinha me batido porque não sabia como lidar comigo naquele momento.
    Depois, adolescente, a gente partiu pra conversa mesmo. Pro castigo. Pro olhar. Cara, um olhar dos meus pais me tocava/toca muito mais do que qualquer palmada.
    E não acho que seja violência psicológica não. Nunca esses “olhares” me fizeram infeliz demais. Pelo contrário, sempre me empurraram pra frente, pra tentar mudar, melhorar.
    Mas enfim. Cada um no seu cada qual. ;)

  18. #18 Mel
    on Jul 28th, 2009 at 10:05

    Olha, realmente é muito complexo! Como qualquer ciência, quando entram os coiceitos e o que cada estudioso entende por eles, torna-se ainda mais complexo.
    Mas como mãe a procura de como fazer o melhor possível na educação de minha filha, acho que nunca devemos levar tudo ao extremo.
    Um tapa ou uma demonstração de decepção podem ter o mesmo “valor” se os pais não souberem dosa-los. A repreensão deve ter a mesma intensidade da atitude da criança, não dá impaciência/irritabilidade dos pais. Uma criança que derruba um açucareiro no chão por acidente, não deve ser repreendida com mais do que um “toma cuidado filha..”, independente do lambança que a mãe vai ficar limpando horas. Acho que um “vem me ajudar” nesse caso, dependendo da idade da criança, também vai bem, afinal ela vai perceber o trabalhão que pode dar um descuido. Já um tapa no rosto dos pais, por raiva ou brincadeira, deve também ser acompanhado de uma demonstração de decepção, sim. Até de se afastar da criança um pouco, pra que ela perceba sua magoa. Mas pouco depois, deixar tudo voltar ao normal, com carinho, beijos, abraços e brincadeiras…
    Acho ainda que algumas coisas devem ser levadas em consideração:
    1º)É fato que as crianças já nascem umas diferentes das outras (não sei o que sua ciência “pensa” disso…), mas assim é impossível aplicar o mesmo método à todas elas. 2º) Cada situação é uma situação: a criança em alguns momentos aceita o “não” dito, em outros ri quando o escuta, e responde positivamente à uma cara fechada, e em outros ri de toda e qualquer tentativa dos pais de fazê-la entender o que pode e o que não pode. Nesse caso acho que não podemos voltar atras e aceitar/ignorar o que aconteceu, e por mais que a criança se sinta vencedora naquele momento, acho que a repetição das demonstrações de “descontentamento” (com o “não”, cara fechada, e retirar a criança daquilo) em algum momento terão efeito. E 3º) Idade da criança: por mais que tenhamos um “manual” de como educar nossos filhos, com indicativo das atitudes de acordo com a idade da criança, esse indicativo terá pelo menos uns 2 meses de intervalo (imagino) entre um método e outro, e em 2 meses já “passaram pela sua casa 3 crianças diferentes”, as crianças apresentam comportamentos muito diferentes ao longo das semanas, além de cada criança ter seu próprio “ritmo”, e pra entender o processo de formação e educação que ela esta tendo, e saber como mostrar à ela a melhor maneira de agir, só acompanhando muito de perto – nesse momento, acho que caímos na atual situação familiar, onde os pais são quem menos tem contato com seus filhos.
    Acho que a palavra-chave é “observar”. Temos que saber o que a criança pretente com aquilo: quer conhecer/aprender, quer brincar, quer ajuda, quer te testar, quer sua atenção… pra depois decidir como agir. Temos que conhecer nossos filhos, pois mesmo os irmãos são muito diferentes uns dos outros e cada um tem que ser “tratado” de uma maneira.
    Acho que a discussão é longa.. e relativa sim, em todos os aspectos…

  19. #19 fihi
    on Aug 6th, 2009 at 18:04

    isso é uma pouca vergonha
    um falso tentemunho
    um belo de um angajamento brabóh!!!!!!!!
    ddd

  20. #20 Fernanda
    on Aug 18th, 2009 at 20:06

    Creio que o grande problema é que, a partir de uma certa idade, a criança ganha consciência de que pode testar os limites dos adultos (crianças não são bichinhos indefesos. Elas sabem, sim, o que estão fazendo em muitas circunstâncias).
    Então ela vai forçando situações até onde sente que é possível. Se ela não recebe um castigo mais brusco pelo ato, vai sempre achar que o mundo é ilimitado. E, infelizmente, só vai aprender que não pode desrespeitar o espaço alheio quando for crescida. E nós sabemos bem que o mundo não é legal com as pessoas e que o castigo dado pela vida é bem pior.
    Sou a favor de umas palmadas de vez em quando, sim. Se eu disse o “não” algumas vezes e a criança insistiu em testar se haveria mais um “não”, é hora de mostrar que em algum ponto ela precisa parar. E a palmada, nesse ponto, é mais eficiente do que o castigo, já que é imediata e causa um reflexo palpável (no caso, a dor física) que vai fazê-la cessar. O velho castigo de colocar viradinho para a parede é inútil. A criança não tem noção de tempo, tem de sentir o limite no momento exato da ação. É como colocá-la para encostar o dedo no ferro de passar roupa ainda quente. Ela só aprenderá a não tocar ali de novo se doer.
    Abraço.
    R: como eu já disse no texto, não poderia discordar mais. As pessoas costumam acreditar que a palmada vale a pena simplesmente porque aprenderam assim. Na verdade, se a criança, como você diz, “sabe bem o que está fazendo”, pq devemos menosprezar esse entendimento dela com uma comunicação aquém do que ela pode compreender? Pense nisso.

  21. #21 christiana
    on Sep 27th, 2009 at 19:54

    Olá, Doni! Boa discussão.
    Concordo com você que a violência é o recurso mais lamentável pra resolver qualquer questão. Mas discordo quando você coloca a violência como sinônimo de atuação física e comunicação como sinônimo de expressão verbal. As ações falam muito, e palavras também podem ferir!
    Como psicóloga, e sobretudo como mãe, sei que às vezes uma palmadinha, sobretudo em crinças pequenas, que ainda não falam muito bem mas já fazem grandes besteiras, pode ser uma forma de comunicação rápida e eficiente pra evitar que ela volte a correr para o meio da rua, ou enfie o dedo na tomada, ou espanque as crianças menores. As poucas que dei acho que meu filho nem lembra, mas tenho remorsos muito maiores de ter gritado algumas vezes, ou de ter dito algo que possa afetar a auto-estima dele. Coisas como “você não faz nada direito!” ditas sem pensar na hora em que a crinça derrama o prato de macarrão no tapete podem ser responsáveis por cicatrizes bem mais profundas do que um palmada emergencial.
    Em todo caso, educar é um tarefa das mais difíceis e acho que não há respotas absolutas. Fico feliz de ver que o meu filho conseguiu sobreviver a todos os meu erros, potencializou meus acertos e se tornou aquele menino adorável que você conhece, e que faz 14 anos esta semana! :)
    Beijos
    R: Meus parabéns para ele! Sobre seus argumentos… é óbvio que violência pode ser verbal, e essa também é complicada. Um “você não faz nada direito” realmente machuca, e como! Mas não foi a esse tipo de comunicação que me referi em meu texto. Em 90% dos casos em que as pessoas costumam utilizar palmadas (data eu), uma comunicação dos próprios sentimentos (diferente de um “você não faz nada direito”) daria mais certo. Continuo acreditando que palmadas são desnecessárias e, sim, violentas. Sobretudo em crianças muito pequenas, aliás.

  22. #22 Arthur Golgo Lucas
    on Jul 21st, 2010 at 22:40

    Doni, “bater é agredir” tanto quanto “matar é crime”, ou seja, nem sempre.
    Se existem certas condições até para legitimar o ato de tirar a vida de uma pessoa – espero que seja evidente que estou falando de legítima defesa – com certeza não se pode partir do princípio simplista que “bater é agredir” para condenar toda e qualquer palmadinha.
    Meu ponto é: as palmadinhas não somente não são sempre condenáveis como são saudáveis e fazem parte do processo de adequação ao mundo e do processo de aprendizado natural de nossa espécie.
    Este é o link do meu artigo que resultou de nosso debate no Twitter:
    http://arthur.bio.br/2010/07/21/direitos-humanos/lei-da-palmada-trara-prejuizos-irreparaveis-a-familia-e-a-sociedade
    Dá uma passadinha por lá, vou gostar de saber o que pensas a respeito… mesmo que eu já saiba que serás uma voz crítica e discordante. :-)
    Abraços!
    R: “processo de aprendizado natural de nossa espécie”. Desculpe, mas não.

  23. #23 NRA
    on Jul 22nd, 2010 at 14:07

    “PS – Não me ofendam com o argumento simplório e emocional do “você não pode falar porque não tem filhos ainda”. Já respondi a isso neste post sobre o Google Latitude.”
    Mais um que ainda não passou pela experiência de educar um filho e pensa que sabe tudo sobre tal.
    Vou te dizer uma coisa. Fui criado sem agressões e sem palmadas, então pensava exatamente como você. Tive meu primeiro filho (na verdade, filha) e continuei pensando, pois ela “respondeu” ao modelo. Bastava uma conversa, no máximo uma bronca para ela obedecer. Mas aí veio o meu segundo filho, birrento como ele só!! E o modelo deixou de funcionar, pelo menos em todas as ocasiões. Pois esse é o ponto. Não sou adepto da utilização das palmadas como método primário de educação. Não é qualquer “arte” do meu filho que me fará dar uma palmada nele. MAS, existem ocasiÕes e circuntâncias que a palmada será a única forma de obter a resposta adequada dele……e posso relatar várias delas. Então, meu caro, a sua falta de experiência é sim fundamental na discussão.
    R: como eu disse, o argumento é simplório. Siga o link no trecho que você citou.

  24. #24 NRA
    on Jul 22nd, 2010 at 17:06

    “R: como eu disse, o argumento é simplório. Siga o link no trecho que você citou.”
    Meu caro, já diz o ditado: o que atrapalha a teoria, é a prática. A sua falta de prática em lidar com filhos, porque não os tem, é fundamental na percepção de que mesmo as palmadas em circunstâncias especiais não se justificam. Como eu escrevi, eu pensava exatamente como você.
    E, sim, eu segui o link e nele você não apresentou justificativa cabível.
    R: Se o ditado fosse correto e válido para qualquer questão, simplesmente não poderíamos pensar ou estudar qualquer assunto (o conhecimento é absurdamente maior do que a vivência possível de cada sujeito), e com o “já diz o ditado” tornaríamos inválida a própria investigação científica. Eu não sei quem é você, e nem faço qualquer julgamento sobre seu caráter. Mas, do seu comentário eu tenho que, já que estamos falando de experiência prática, talvez a sua não seja assim tão grande, dado que precisou deste recurso para lidar com seu segundo filho. Você justificou com “ele é isso” e “ele é aquilo”, mas a falta de outros recursos foi sua. Claro que não tenho nada com isso, e se vc deve alguma satisfação é a ele apenas, “meu caro”.

  25. #25 NRA
    on Jul 23rd, 2010 at 16:32

    “Se o ditado fosse correto e válido para qualquer questão, simplesmente não poderíamos pensar ou estudar qualquer assunto (o conhecimento é absurdamente maior do que a vivência possível de cada sujeito), e com o “já diz o ditado” tornaríamos inválida a própria investigação científica.”
    Tanto é absoluta verdade o que você diz que basta o sujeito ter conhecimento teórico de como se dirige um automóvel para poder pegar na direção de um carro em plena cidade, por exemplo, ou qualquer profissional recém-saído de qualquer faculdade dá de 10×0 em um com mais de 20 anos de experiência. O problema, “meu caro”, é que qualquer investigação científica, como você bem deve saber, deve ser comprovada na prática. E já que você está abordando a questão científica do tema, basta uma experiência mal sucedida com um modelo para ele precisar ser abandonado ou no mínimo refeito. Então, se existem estudos que teoricamente confirmam que palmadas leves causam malefícios às crianças, por outro lado, existem diversos casos que não confirmam essa teoria. Só isso já bastaria para colocar dúvidas sobre os primeiros estudos. E é muito bonito teorizar que a falta de outros recursos para lidar com o meu segundo filho foi minha, mas isso é somente a sua visão do tema aliada à sua falta de prática em educar uma criança.
    R:Caro NRA, ou “sigla”, sua confusão de ciência com empirismo é bastante comum, afinal o positivismo não morreu no século XIX, como deveria, bem como certas práticas pedagógicas. De qualquer forma, a postura que adoto sobre as palmadas é ética e profissional, e você pode passar dias deixando comentários aqui dizendo o quanto estou errado ou quanto sou incapaz, que isso não vai mudá-la, assim como minha opinião não mudará a sua postura, que também é ética. No fim das contas, você deveria estar menos preocupado em provar minha incapacidade que em bancar sua postura. A minha afeta meus clientes, pacientes e futuros filhos, a sua afeta diretamente seu filho, e a ele que você deve qualquer satisfação. Apenas ele.

  26. #26 NRA
    on Jul 24th, 2010 at 09:16

    ” …sua confusão de ciência com empirismo é bastante comum, afinal o positivismo não morreu no século XIX, como deveria, bem como certas práticas pedagógicas.”
    Meu caro, a confusão quem está fazendo aqui é vc. Todo modelo teórico ou hipótese, proposto por um cientista, tem que ser comprovado na prática. Isto não é empirismo, e sim um dos conceitos mais fundamentais da ciência moderna. Logo, o seu “modelo” teórico de que educação sem palmadas se aplica para QUALQUER criança carece de comprovação. Ou, pensando em sentido contrário, o seu “modelo” que diz que palmadas prejudicam a criança, carece de pesquisas suficientemente abrangentes para tal. No máximo, o que vc pode dizer é que há correntes nesse sentido.
    “De qualquer forma, a postura que adoto sobre as palmadas é ética e profissional, e você pode passar dias deixando comentários aqui dizendo o quanto estou errado ou quanto sou incapaz, que isso não vai mudá-la, assim como minha opinião não mudará a sua postura, que também é ética.”
    Certo, assim como a postura dos psicólogos e educadores que defendem que palmadas ocasionais não prejudicam a criança também é ética e profissional, correto?
    “No fim das contas, você deveria estar menos preocupado em provar minha incapacidade que em bancar sua postura. A minha afeta meus clientes, pacientes e futuros filhos, a sua afeta diretamente seu filho, e a ele que você deve qualquer satisfação. Apenas ele.”
    Meu caro, eu não estou preocupado em provar sua capacidade ou não, mas sim sua arrogância em querer impor sua percepção da educação de um filho como a única e certa, isso tudo baseado em conhecimentos teóricos…….que podem daqui a alguns anos se mostrarem equivocados. Com meu filho eu não estou preocupado, ele vai muito bem, “apesar” das palmadas ocasionais. E a satisfação que eu devo a ele é de educá-lo o melhor possível para ser um homem bom, de caráter, e apto para enfrentar o mundo.
    R: Puxa, está querendo provar minha arrogância? Tivesse dito logo era mais fácil, eu sou extremamente arrogante (é uma característica, nem precisa ser “provada”). Sobre o que você diz sobre ciência, sugiro que estude mais filosofia da ciência. O que você chama de “ciência moderna” depende completamente da concepção adotada sobre o que é ciência moderna e, acredite, existem várias. A respeito da “postura ética”, é óbvio que existem estudiosos e psicólogos que defendem castigos e palmadas, e essa é a postura ética DELES, que difere da minha. A postura ética a ser adotada por um profissional, ou um pai, depende de n fatores. Ou tal como no caso da “ciência moderna” você acredita em “ética universal”? Por último, óbvio que eu defendo um modelo. E, como além de modelo teórico é postura ética, eu o defendo assim, com unhas e dentes. Ninguém defende uma prática dizendo “ó gente, desculpa aí, existem outras formas e pode ser que eu esteja errado”. Eu acredito que tapa é agressão, que agressão é violência e que violência não educa, vou morrer acreditando, e daí? No fim das contas, eu continuarei sendo arrogante e você continuará batendo em seu filho, e você continuar vindo aqui tentando provar seu ponto não mudará nada disso.