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Dawkins é necessário, tanto quanto Stephenie Meyer

O trecho abaixo é resposta a este texto do amigo Biajoni, que o escreveu motivado por minha frase “Acho o Richard Dawkins tão ruim que sua leitura me faz acreditar em Deus” (o efeito contrário ao esperado pelo autor e seus leitores mais fiéis):

Caro amigo. Seu texto em defesa de Richard Dawkins, interessante, acabou ficando mais “elegante” do que os próprios escritos dele. É claro que minha frase “de efeito” (segundo você) e as comparações bem humoradas que fiz entre “Deus, um delírio” e as obras de Paulo Coelho e da autora que citei no título desde post tiveram explicação nos comentários subseqüentes da minha postagem no Facebook. Você diz que Dawkins é popular e tem alcance, e te digo que nada disso adianta. Dawkins falha absurdamente em sua cruzada, por sua abordagem ruim e superficial da questão e por sua escrita para os “neófitos”. Pode ser uma ótima obra em termos de entretenimento (como os autores com quem o comparei), mas é sim superficial para qualquer um que tenha lido e estudado a sério a questão. Aqui cabem citações minhas que você já conhece:

Sério, com Nietzsche, Sartre e Freud, ninguém precisa de Dawkins.

E explico:

“Deus é um delírio” é uma idéia requentada, com outro enfoque (o “científico”). Entender o poder dessa metáfora (Deus) e a partir daí pensar no potencial do humano, no libertador (cansei de citar o Nietzsche já) é mais importante que o “a-há, tá vendo como Deus não existe?”. Leiam “O Futuro de uma Ilusão” (Freud) e “Assim falou Zaratustra” e “O anticristo” (Nietzsche).

Sem falar que Dawkins atrai o mesmo tipo de relação com os fãs destes autores. Ocorre uma personalização fanática e perigosa de um debate que deveria ser mais amplo. Uma leitora e amiga minha (atéia) deu RT em minha frase no twitter e foi mais atacada por fãs de Dawkins do que é por religiosos, quando os critica. Ou seja, temos um leitor de Dawkins afastado de N questões relacionadas ao tema, mas que sente que finalmente teve contato com “a boa nova”. Chega a ser engraçado, não?

No mais, vamos lá: sou extremamente simpático à causa. Me dói ver gente chamando a Evolução de “apenas uma teoria” (pura ignorância a respeito do que é teoria em termos científicos); me dói ver religiosos tendo ingerência sobre questões relacionadas a todos nós (direito ao aborto, criminalização da homofobia etc) e pregando preconceitos estúpidos. Me dói o fanatismo todo, óbvio, mas vamos pensar algumas coisas. Você diz:

“Campbell ficaria horrorizado em ver como as distorções sobre os mitos religiosos vêm crescendo no mundo, motivando o fanatismo, o preconceito e a cegueira para os avanços científicos”.

Será mesmo? Sim, as distorções sobre os mitos religiosos estão aí, há uma turminha do barulho que se organiza, faz lobby, desdenha da ciência e tal, mas “cegueira para os avanços científicos”? Não sei não… Isso é bem discutido, por exemplo, em estudos a respeito da Ideologia da Racionalidade Tecnológica e do Culto ao Especialista. A ciência (ou uma concepção do que seja ciência, amplamente aceita e marcada por determinadas posturas ideológicas) hoje nos governa e influencia mais ou pelo menos tanto quanto as religiões, e um exemplo simples e direto está no efeito das matérias em jornais, revistas e TV que começam com “cientistas dizem que”; que ditam nosso comportamento e pautam nossa sociedade hipermedicada. Busca-se uma “comprovação científica” para absolutamente qualquer bobagem que se queira propor, e a Genética, coitada, é a bola da vez, sendo causa e justificativa de nossos males. Onde está a cegueira?

Você continua:

O livro tem essa função clara de apresentar fatos ao leitor, para provocar os religiosos convictos e “levar os religiosos por inércia a pensar racionalmente a sua crença”, conforme escrito na contracapa. O principal elogio que deve ser feito a Dawkins é a coragem que teve para escrevê-lo, nesses tempos em que o politicamente correto dita que o respeito religioso justifica tudo – inclusive o ódio a homossexuais, a proibição de transfusões de sangue ou atentados terroristas.

A expressão “politicamente correto” é perigosa aqui. Todo dia vejo religiosos dizendo que “o politicamente correto impede que possam se manifestar a respeito de seu descontentamento diante de homossexuais e que estão sendo desrespeitados”.  Andam utilizando o “politicamente correto” para denominar qualquer coisa com que não concordem. Não acho, como esses idiotas, que o respeito religioso justifica tudo. Sem falar que existem movimentos ganhando voz, projetos sendo votados, toda uma resistência que começa a se organizar contra esse tipo de postura, a despeito das religiões. Mais uma vez, não precisávamos de Dawkins para isso.

Outro ponto: coragem, cara pálida? Sério que você acredita haver algo de revolucionário apenas na publicação desta obra? E todos os ótimos autores ateus que escreveram obras fantásticas (as que eu defendo) no passado? O momento histórico era mais favorável para eles do que para Dawkins? Óbvio que não.

Também me chama atenção essa frase, da contracapa do livro: “levar os religiosos por inércia a pensar racionalmente a sua crença”. Aqui está meu ponto, e aqui eu digo que Dawkins falha, de forma grosseira até. Na verdade, a discussão sobre a (in)existência de Deus, científica, comprovada no mundo natural, “real”, pouco importa aí. O comportamento religioso, a despeito da definição corrente (e correta) que temos de religião, não está fundamentado na existência de Deus no mundo físico, mas em uma idéia, um conceito. E te digo que os “fatos” apresentados por Dawkins não fazem cócegas na influência exercida por essa “metáfora divina” sobre as pessoas.

Como podemos verificar facilmente, 97,48% dos religiosos (DataEu) pouco se importam com fatos. Se, ao cavar um poço em seu quintal, um crente topar com o esqueleto fóssil de um dinossauro, dirá que o demônio colocou aquilo ali para testá-lo em sua fé. E isso se dá porque a força de Deus enquanto conceito é enorme e está localizada em instâncias inconscientes e constitutivas de todos nós. Žižek, comentando alguns postulados de Lacan a respeito, lembra que “o ateu moderno pensa saber que Deus está morto; o que ele não sabe é que, inconscientemente, continua a acreditar em Deus”. Ou seja, tanto faz se o enfoque for metafísico, científico ou filosófico, estamos sempre girando em torno deste conceito, percebe? Assim como Dawkins.

A idéia da existência da divindade é representação simbólica de uma metáfora paterna, do “suposto saber” do Outro que organiza a estruturação neurótica de fieis e ateus (Lacan). Eu precisaria de um texto enorme para explicar o mecanismo, e este aqui já está bem grande, mas ocorre que nossa sociedade se organiza a partir dessa estrutura. Resumidamente, as pessoas identificam neste Deus a manifestação “externa” de uma instância vigilante, julgadora e vingadora para conseguirem um alívio “interno”, pois essa instância sem essa identificação externa “divina”, vivendo em cada um de nós, seria ainda mais tirânica do que já é. Dostoiévski disse através de um personagem: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Lacan retruca: “Se Deus não existe, tudo é proibido”, pois não teríamos essa “válvula de alívio interno” (o neurótico “descansa na metáfora paterna” – Contardo Calligaris). Do ponto de vista do crente, ocorre o inverso: “Se Deus existe, tudo é permitido”, pois o crente se coloca como instrumento divino Dele, podendo qualquer coisa, qualquer abuso, que estará automaticamente perdoado. O problema é que, para que isso ocorra, pouco importa se a verdade está lá fora ou não. Este é meu ponto: não é uma questão de conseguir “matar” Deus no mundo real (a realidade física e mensurável pelos métodos científicos tradicionais pouco importa aqui, pois sabemos que a (in)existência de Deus não pode ser provada ou negada assim). A necessidade é entendermos melhor a atuação deste conceito em nossa constituição, a força desta idéia.

Você termina seu texto de forma muito bonita, dizendo:

É uma cruzada, concordo. Mas que tem de mais encantador aquilo que justamente creditamos como divino: nossa inteligência.

Gosto disso, mas repito que não precisamos de Dawkins para tanto. Quando Nietzsche matou Deus, o fez para que o Übermensch (super homem, supra homem) pleno de possibilidades e potencialidades, que reside em cada um de nós, tivesse longa vida. Nossa cruzada real é a busca por esse “homos superior” citado pelo filósofo. O que podemos fazer para nos libertarmos realmente desta tirania, por vezes sádica, impregnada em cada um de nós? É necessário calar essa instância de autoridade, ou compreendê-la e mudar nossa relação com ela? (assunto para outra discussão conceitual). Acredito que este questionamento é muito mais político, filosófico e ético do que científico. Daí minha opinião de que Dawkins, ainda que possa ter ótimas intenções, já começa errando o enfoque. É como pegar o mito dos vampiros e fazê-los brilhar e…

Recomendação de leitura: “Deus está morto, mas Ele não sabe: Lacan brinca com Bobók”, do já citado Žižek.

30 Comentários on “Dawkins é necessário, tanto quanto Stephenie Meyer”

  1. #1 Biajoni
    on Jan 26th, 2011 at 10:44

    “é sim superficial para qualquer um que tenha lido e estudado a sério a questão”

    é justamente o que eu disse: não é para quem estude a sério a questão.

  2. #2 Guto
    on Jan 26th, 2011 at 10:54

    Belo texto, Doni!

    Gosto muito do que John Gray (Cachorros de Palha – Record – 2006) escreveu:

    “A descrença é uma jogada num jogo cujas regras são estabelecidas pelos que crêem. Negar a existência de Deus é aceitar as categorias do monoteísmo. Quando essas categorias caem em desuso, a descrença torna-se desinteressante e, em pouco tempo, sem sentido. Os ateus dizem que querem um mundo secular, mas um mundo definido pela ausência do deus cristão continua sendo um mundo cristão. O secularismo é como a castidade, uma condição definida pelo que é negado. Se o ateísmo tem um futuro, só pode ser uma revivificação cristã; mas de fato o cristianismo e o ateísmo estão declinando juntos. O ateísmo é um fruto tardio da paixão cristã pela verdade. Nenhum pagão está pronto para sacrificar o prazer da vida em troca da mera verdade. Prezam a ilusão artificial, não a realidade despida de enfeites. Entre os gregos, a meta da filosofia era a felicidade ou a salvação, não a verdade. A adoração da verdade é um culto cristão. Os antigos pagãos estavam certos ao estremecer diante da assustadora determinação dos primeiros cristãos. Nenhuma das religiões de mistérios que abundavam no mundo antigo pretendia o que os cristãos afirmavam – que todas as outras crenças estavam erradas. Por isso mesmo nenhum de seus seguidores poderia algum dia tornar-se um ateu. Quando os cristãos insistiam em que apenas eles possuíam a verdade, condenavam a extravagante abundância do mundo pagão à danação final. Num mundo de muitos deuses, a descrença nunca pode ser total. Pode apenas significar a rejeição de um deus e a aceitação de outro ou, como no caso de Epicuro e seus seguidores, a convicção de que os deuses não importam, já que há muito deixaram de se importar com as questões humanas. O cristianismo atingiu, na raiz, a tolerância pagã à ilusão. Ao sustentar que existe uma única fé verdadeira, deu à verdade um valor supremo que não tinha tido antes. E também tornou possível, pela primeira vez, a descrença no divino. A conseqüência de efeito retardado da fé cristã foi uma idolatria da verdade que teve sua mais completa expressão no ateísmo. Se vivemos num mundo sem deuses, devemos agradecer ao cristianismo.”

  3. #3 Tweets that mention Dawkins é necessário, tanto quanto Stephenie Meyer | Marcos Donizetti -- Topsy.com
    on Jan 26th, 2011 at 10:58

    [...] This post was mentioned on Twitter by Eduardo Miranda, Biajoni, Caio Cavalcanti, Karen, Carlos Magalhaes and others. Carlos Magalhaes said: Polêmica! RT @doni @biajoni diz que Dawkins é necessário http://migre.me/3KsMI e eu discordo aqui: http://migre.me/3KsNa [...]

  4. #4 Marcos Donizetti
    on Jan 26th, 2011 at 11:01

    Porra Guto, que trecho fantástico! Tem muita relação com o que penso.

  5. #5 André Egg
    on Jan 26th, 2011 at 15:13

    Disse tudo!

    Expressou bem exatamente o que eu penso (e às vezes escrevo) em relação ao livro do Dawkins e ao texto que o Biajoni cita do Idelber ou do Alex Castro.

    Eu tenho minha luta particular contra a religião coercitiva, mas se tem uma coisa que realmente não dá nenhum efeito é esse tipo de prova “científica” da inexistência de Deus. É tiro que sempre sai pela culatra – afinal, como você define com propriedade, dá pra provar de tudo “cientificamente”, desde que devidamente financiado para tal e reverberado pela grande imprensa.

    Inclusive o fundamentalismo só existe enquanto tal justamente por se arvorar como científico. Todos os caras que escreveram os abomináveis panfletos saídos por volta de 1910 (“Os fundamentos” – de onde o termo deriva) tinham título universitário de doutor, o que não é muito difícil de obter num seminário do sul dos EUA.

    Só não entendi, até agora, quem é Stephenie Meyer

  6. #6 Flavia (@ladyrasta)
    on Jan 26th, 2011 at 19:22

    Ok, fichas caindo e um monte de coisa ficou explicada pra mim (ao menos com relação às minhas crenças). Vou procurar esse livro, adorei!

  7. #7 Mônica
    on Jan 26th, 2011 at 19:36

    Doni, excelente seu texto (o Guto me indicou). Vou falar apenas de um trecho que tocou muito no dentro de mim que não cala a boca e que às vezes me impede de viver a vida. “Lacan retruca: ‘Se Deus não existe, tudo é proibido’”.

    É meu caso. O nome disso é superego?

    Outra coisa que pensei: se Deus não existe, tudo é caótico, imponderável; qualquer porcaria sem sentido pode acontecer em nossa vida. Pode nos cair um cofre na cabeça apenas porque fulaninho o colocou no peitoril. Não é justo nem injusto. Apenas acontece. É a falta de sentido. E as pessoas precisam de sentido para coisas sem sentido que acontecem o tempo todo. Alivia a angústia, né?

  8. #8 Mônica
    on Jan 26th, 2011 at 19:38

    Eu ainda não sei como nem sei se tem a ver, mas me brotou um pensamento: assim como os que militam pela causa da existência de Deus procuram uma ordem, um sentido para tudo, os que defendem o contrário talvez busquem também uma ordem. É como se procurassem o “Deus Ciência”, a figura que, mais dia menos dia, dará as respostas. Mais uma vez, aí está o pavor da angústia, da falta de sentido.

  9. #9 Mônica
    on Jan 26th, 2011 at 19:40

    Completando: se Deus não existe, tudo é proibido e ao mesmo tempo permitido. Porque é permitido o caos, os desastres, a falta de sentido dos desastres.

  10. #10 Marcos Donizetti
    on Jan 26th, 2011 at 19:45

    Mônica, a reflexão é exatamente essa. E “o nome disso é superego?” foi sensacional. A pergunta sintetiza tudo o que eu escrevi =)

  11. #11 Marcos Donizetti
    on Jan 26th, 2011 at 19:49

    Stephenie Meyer é a autora da saga Crepúsculo. Esse debate começou quando eu disse que Dawkins tinha similaridades com ela. =)

  12. #12 Ed
    on Jan 26th, 2011 at 21:50

    Texto excelente. Parabéns!

  13. #13 Ed
    on Jan 26th, 2011 at 21:52

    A antepenúltima sentença relaciona-se bem com a crítica que Eagleton faz a Dawkins…

  14. #14 Bruno
    on Jan 27th, 2011 at 00:46

    Esse texto do Gray é, bem, chatinho demais, vai dizer? O ateísmo só existir pela existência do monoteísmo é absolutamente óbvio… ao contrário não haveria necessidade de sermos todos ateus – não haveria a concepção deísta para existir o sentimento antagônico.

    Dawkins (e Christopher Hitchens!) são necessários não para a concepção do ateísmo nem pela defesa do mesmo – são necessários para a compreensão mundana e científica dos absurdos da crença religiosa, das incoerências e fantasias desnecessárias que elas criam, pela opressão e fanatismo inerentes às mesmas.

  15. #15 Marcos Donizetti
    on Jan 27th, 2011 at 09:34

    “compreensão científica dos absurdos da crença religiosa” é uma impossibilidade e uma contradição em termos. Não há “ateísmo científico”.

  16. #16 Marcos Donizetti
    on Jan 27th, 2011 at 09:36

    Biajoni, deletei sem querer sua resposta a esse comentário do Bruno, pode postar de novo?

  17. #17 charlles campos
    on Jan 28th, 2011 at 12:48

    Desses autores que apontam a perversidade e alienação da religião como ela é, prefiro o Sagan. Sua educação, sua sempre sentença ponderada, dão ao texto um eco religioso _ como se repetisse nos textos as cenas de respeito ao sagrado da série Cosmos, com Heaven and Hell, do Vangelis, tocando a fundo. Sagan, assim como Bernard Shaw e outros, propalavam-se ateus, mas tinham uma profunda apreensão do sagrado. Ou seja, aceitavam, cada um a seu modo, o Mistério, e respeitavam o que ele tem de insondável, além da capacidade atual do homem em entender.

    Já Dawkins, Gray, Michel Onfray e os outros atuais contestadores à ideia de deus, são muito perecíveis. Em sua raivas muitas vezes descomedidas, acabam por se renderem ao brilho da moda ateísta, não a transcendendo. Logo ninguém mais vai ler Dawkins. Seus livros amontoarão nas estantes de sebo ao lado dos outros esquecidos, como Logsang Rampa, etc.

    Não que não os leia. Li Deus, um delírio, Cachorros de Palha, e um outro do Onfray que não me recordo o nome (ruim de doer). Acho benéfico a existencia desse tipo de literatura, para comprovar os limites da liberdade de expressão, e para podar qualquer tentativa de unanimidades de igrejas. Mas Dawkins, ou é muito inocente, ou muito show business, para promover campanhas nos ônibus de Londres com slogans ateus. Repete milimetricamente tudo que é desprezível e condenável nas práticas massificadas de crenças: proselitismo, dízimos, ódios, sentimento de que se está com a verdade acima de todos.

  18. #18 Biajoni
    on Jan 28th, 2011 at 19:43

    não sei a idade do charlles, mas a relação que ele tem com o sagan pode ser a mesma relação que muita gente vai ter com o dawkins. logo no começo de DEUS, UM DELÍRIO, dawkins fala da maravilha do cosmo, da beleza daquilo que INDEPENDENDE de um deus…
    é melhor? é pior? não saberia dizer, os tempos são outros.

  19. #19 charlles campos
    on Jan 28th, 2011 at 20:10

    Biajoni, tenho 36 anos. O respeito que Dawkins tem pelo cosmos, no meu entender (veja bem!), ainda assim é muito firmado na supremacia da ciência, um respeito soberbo de ter desvendado ao menos a certeza de que o cosmos é um absurdo por si, e não dependente ou criatura de um deus. O Sagan não, o Sagan preserva um humildade que revela espontaneamente seu grande conhecimento, e sua profunda ternura. Em “Bilhões e Bilhões” ele nos revela que a imensidão, em todos os sentidos, tanto para o macro quanto para o micro, comporta inúmeras possibilidades. Num livro de Dawkins não consigo ver a possibilidade de uma parte tão tocante e humana quanto a carta de elegia da esposa de Sagan, nas páginas finais desse livro.

    Uma das mais belas cenas da literatura da última metade do século XX está no romance Dezembro Fatal, do autor norte-americano Saul Bellow. O protagonista da história está dentro de um metrô, em Londres, e escuta um velho senhor sentado a seu lado, que fôra ateu a vida toda, dizer, num insight: “Nada é suficientemente absurdo para existir; talvez, então, Deus exista!” Minha crença é esta.

  20. #20 biajoni
    on Jan 28th, 2011 at 23:36

    concordo com a sua crença, devo dizer, já que me considero mais agnóstico que ateu. o fato é que dawkins, sim, tem um TERNURA – para usar um termo seu – e, não por acaso, cita muito o sagan no livro.

    para comentar o fato de DEUS UM DELÍRIO ser uma porta para novatos na discussão sobre a (IN)EXISTÊNCIA de deus, dawkins lista uns 150 livros no final do volume, para que os leitores se aprofundem.

    por essas e outras que digo que esse livro é ESSENCIAL.

  21. #21 Qual é o alvo de Deus, um delírio? | Sociologia do Absurdo
    on Jan 30th, 2011 at 15:41

    [...] Sociológica”. A republicação se deve ao ótimo debate começado por Luiz Biajoni e Marcos Donizetti. Na seqüência Daniel Lopes e André Egg também escreveram sobre o tema. Peço que relevem um [...]

  22. #22 Ateísmo e Estado Laico | Sociologia do Absurdo
    on Jan 31st, 2011 at 21:14

    [...] em torno do debate começado por Luiz Biajoni e Marcos Donizetti. E continuado por Daniel Lopes e André Egg. Leia também segundo post do [...]

  23. #23 O Resgate de Dawkins « O Gato Précambriano
    on Feb 4th, 2011 at 17:52

    [...] então não sei exatamente os comos e os porquês, apenas a resposta que o Biajoni deu, seguida do troco que levou, gerando um aparte do Daniel, respondido mais uma vez pelo Donizetti, culminando com uma carteirada [...]

  24. #24 Ainda Dawkins
    on Feb 4th, 2011 at 18:45

    [...] você perdeu o thread, foi assim: Doni >> Bia >> Doni >> Dani >> Doni >> [...]

  25. #25 Dawkins é necessário – Biajoni
    on Feb 4th, 2011 at 21:08

    [...] Apdeite: Doni fez um post comentando este post. [...]

  26. #26 O ateísmo voltou à blogosfera | Outras coisas e afins
    on Feb 16th, 2011 at 16:01

    [...] de 2011, eu vi primeiro no Liberal, Libertário, Libertino. Mas também apareceu no Biajoni, no Marcos Donizetti, Index, Um drible nas certezas (nesses três em forma de conversa), no Sociologia do Absurdo (aqui [...]

  27. #27 Mauro
    on Feb 17th, 2011 at 14:08

    Mais uma forma de busca notoriedade na ‘fama” de Dawkins. O texto é bom, mas não passa disso. Os blogueiros discutem sobre Dawkins, por que o cara é popular. Uma forma de promover debate e expressar opniões contrárias. No final não acrescenta muita coisa.

  28. #28 Guia incompleto de leituras sobre Dawkins e adjacências – A Terceira Margem do Sena
    on Mar 1st, 2011 at 16:11

    [...] com o Doni (no Facebook), depois veio o Biajoni (“Dawkins é necessário”), de novo o Doni (“Dawkins é necessário? Tanto quanto Stephenie Meyer”),  depois o Daniel Lopes (“Dawkins é necessário, pode acreditar”), o Doni novamente [...]

  29. #29 Dawkins é necessário | Cheque Sustado
    on May 15th, 2011 at 12:35

    [...] Apdeite: Doni fez um post comentando este post. [...]

  30. #30 Dawkins é necessário? A questão é acreditar! | Marcos Donizetti
    on Jun 5th, 2011 at 03:54

    [...] Lopes, que é mais uma contribuição a um debate que começou entre o amigo Biajoni (aqui) e eu (aqui): “Claro, qualquer um que acorde no meio da noite sentindo uma dor no lado esquerdo do peito [...]